Saturday, April 15, 2006

Da ausência - IV

Penso onde estarás.
O que farás neste momento.
É o mesmo céu azul que olhamos e o mesmo sol que nos aquece.
É o mesmo mar que te rodeia e é também nele que deixo perder o pensamento.
Pensas-me como eu te penso?
Lembras-me como eu te lembro?
Sentes no teu peito o mesmo vazio que preenche o meu?
São apenas quatro os dias sem ti, mas como explicar esta eternidade da tua ausência?
Há apenas quatro dias que não ouço a tua voz, mas como explicar a imensa falta das palavras?
Há só quatro dias que te não vejo, mas como compensar os meus olhos da tua falta?
Penso-te a toda a hora.
Ouço-te em cada minuto.
Sinto-te. Toco-te.
E neste exercício de imaginação tento disfarçar a dor.
Tornar-te mais presente.
Disseste-me que me queres feliz, mas como sê-lo assim?

2 Comments:

Blogger Cláudia said...

Passei para desejar uma excelente Páscoa, de paz e tranquilidade.

Chocolates, amêndoas e afins... venham eles!!
Beijinho grande *** Fica bem.

1:34 PM  
Blogger escrevi said...

Quando te li, veio-me imediatamente à ideia este poema da Marquesa de Alorna:

Ausência

É certo que me deixaste?
Foste tu que me fugiste?...
Ah! que o som da tua fala
Inda em meu ouvido existe!...

Como o peregrino em trevas
Vê se a manhã se levanta,
Porque entre folhas reclusa
A cotovia já canta;

Busca-te a minha saudade,
Nas grutas que o vale tem;
Chamam-te as minhas cantigas...
Ah! torna, torna, meu bem!

Um beijo.

2:38 PM  

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